CONSAGRAÇÃO DIÁRIA

CONSAGRAÇÃO DIÁRIA


Virgem Imaculada! Minha Mãe Maria Santíssima! Eu renovo, hoje e sempre, a consagração a Ti de todo o meu ser, para que disponhas de mim para o bem de todos. Somente te peço que eu possa, minha Rainha e Mãe da Igreja, cooperar fielmente com a missão de construir o Reino do teu Filho Jesus no mundo. Por isso, te ofereço minhas orações, meus sacrifícios e minhas ações.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós e por todos quantos a Vós não recorrem, de modo especial pelos inimigos da Santa Igreja e por aqueles que a Vós estão recomendados.


INTENÇÃO PARA O MÊS DE NOVEMBRO/2026:

Para que todos os cristãos saibam expressar sua esperança, a partir experiência do perdão recebido e concedido".
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29 janeiro 2011

Mantenha distância...


Quando se viaja pelas rodovias, lê-se nas carrocerias dos caminhões: "mantenha distância"! É uma norma que ajuda a evitar acidentes.
Manter distância é necessário também nas relações interpessoais, sobretudo quando se quer ajudar alguém que lhe expõe os problemas que o afligem e para os quais não tem ainda saída. Com facilidade podemos entrar em empatia com a pessoa que sofre e sermos envolvidos pela nossa compaixão. E em nossa compaixão para com ela, nos confundirmos com os problemas dela. Seus sofrimentos podem despertar nossos sentimentos e a dor dela nos contagiar tanto, a ponto de perdermos o controle sobre a situação, nos sobrecarregarmos com os sofrimentos dela e não saber distinguir entre os problemas que ela apresenta e a pessoa que ela é. Nisto reside o perigo: tratar a pessoa e seus problemas como se fosse uma coisa só. Por isso, é necessário aprender a distinguir as coisas, separar o que é o problema, daquilo que a pessoa é!
Como regra geral, vale dizer que a pessoa é sempre maior do que seu problema. Portanto, mesmo que seja difícil, ela está em condições de enfrentá-los, mesmo porque, se não o fizer, ela é quem vai sofrer as consequências. E de um jeito ou do outro vai depender dela sair deles (problemas) ou continuar com eles. Daí que, quem quiser ajudar o outro a encontrar solução para suas dificuldades, não pode envolver-se nas emoções do sofredor e carregar-se dos mesmos sofrimentos. Seria não mais uma pessoa com problemas, mas duas com os mesmos problemas e sem a solução adequada. Isso não quer dizer que se deva ser insensível. Ser capaz de compadecer-se é um dom, porém, isto não significa entrar na dor dela e absorvê-la para si. Aliás, Jesus, a mais compassiva de todas as pessoas, quando alguém vinha apresentar-lhe um problema, compadecia-se. Dava toda atenção, curava, ensinava, mas não levava o problema da pessoa consigo. Mantinha distância entre o problema e a pessoa.
Lidar com os problemas emocionais dos outros requer esse cuidado: manter distância! Assim se pode efetivamente abrir novos horizontes para que a pessoa saia do círculo vicioso em que seus problemas a enclausuraram. Isso que vale para os outros, vale também quando você quiser encontrar respostas para seus problemas. Primeira atitude é não confundir-se com eles. Tomar distância ajuda a vê-los com mais objetividade, possibilitando respostas mais realistas, e isto permite manter também mais controle sobre si e seus sofrimentos.
Manter distância: eis um segredinho que pode ser útil em muitas ocasiões, não só nas rodovias, mas também ao longo do caminho que sua vida vai percorrendo! Por isso, mantenha distância, para poder estar muito próximo de quem o procura para buscar alívio para seus sofrimentos!
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Padre Deolino Pedro Baldissera
O Mílite (Ed. 214 - setembro, 2008)

O segredo do bambueiro


Todos conhecem pés de bambu. Os bambus nunca vivem sozinhos. Se você planta uma muda só, logo, logo ele cria outros rebentos e aos poucos forma uma touceira. Nas touceiras, existem hastes de diferentes tamanhos, espessuras, idades e todos, segundo suas proporções, balançam ao sabor do vento com leveza ou com grunhidos quando uma toca na outra, mas sempre na direção do céu. Há hastes que crescem, engrossam mais que outras, mas todas encontram seu espaço vital, desfrutam de claridade suficiente para se desenvolver e na medida em que crescem naturalmente vão soltando seus revestimentos que envolvem seus gomos. Com o passar do tempo, aqueles que nasceram primeiro vão secando e dando lugar aos outros que vão nascendo e assim o bambueiro vai se eternizando. Eles sempre se renovam, o verde está sempre presente e é bonito olhar os bambus; embora eles se tornem muitos, todos convivem bem, apesar do vento que causa de vez em quando uma certa choradeira entre eles, mas passada a ventania, eles voltam a sua paz e seguem seu ciclo vital. Há, porém, um segredo que os mantém vivos e ele se esconde sob suas raízes! Dizem que os bambus, quando nascem espontaneamente, nascem em solos onde há água nas suas subjacências. Eles precisam muito dela para viver, e isto é um segredo que eles passam de geração em geração; longe da água eles vivem menos tempo e não ficam tão viçosos. Perto dela, eles vingam melhor e preservam suas origens, e sempre crescem em direção ao céu, embora olhando para a terra!
Fico imaginando que os bambus em muitos aspectos se assemelham aos humanos! Como eles, nós também não vivemos sós. Aliás, se alguém quiser viver só, logo, logo se estafa, se deprime, fica triste e adoece. Porque nós humanos somos feitos para viver juntos, como famílias, como grupos, como sociedade. Como os bambueiros, precisamos aceitar a convivência entre tamanhos e idades diferentes e, como eles, também sofremos de vez em quando atritos e revezes causados pelos contratempos. E nesse ponto temos algo a mais para aprender dos bambus! Nós humanos temos dificuldade de lidar com os conflitos, quando as ventanias da vida fazem balançar o equilíbrio que existia. Os bambus retomam à paz tão logo o vento cesse; nós humanos costumamos guardar rancores e falar mal uns dos outros, criando um ambiente onde a paz desaparece. Somos muito ambiciosos, queremos as coisas só para nós e aí criamos um individualismo e subjetivismo danados.
É difícil viver sem paz, a vida se torna pesada e fechada, os horizontes ficam estreitos e cada um no seu mundinho fica reclamando de suas insatisfações. Nos bambueiros é normal que cada um ceda espaço para o outro e perca um pouco de suas proteções. Suas cascas caem na medida em que eles vão ficando maiores e mostram sem vergonha seus meses e seus anos, vivendo intensamente seus dias. Nós humanos queremos conservar nossas aparências e resistimos em nos desfazer daquilo que não serve mais, perder nossas cascas, nossas proteções infantis, e por ISSO nem sempre crescemos para a maturidade como poderíamos e os horizontes ficam menores.
Os bambus são espertos, eles nunca se afastam das fontes de água que os alimenta. Nós humanos, às vezes, somos tão autossuficientes que achamos que podemos viver sem a força que sustenta a vida, que não está dentro de nós, mas precisamos acolhê-la para que se torne nossa força interna e nos faça crescer em transcendência, como os bambus que crescem em direção ao céu, alimentados pelo segredo da vida que está em suas raízes!
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Padre Deolino Pedro Baldissera
O Mílite (Ed. 215 - outubro, 2008)

Aprendendo com a águia


A águia é um pássaro que pode viver aproximadamente 70 anos. Para consegui-lo, precisa se sujeitar, em tomo dos 40 anos, a passar por um processo de renovação. Quando a águia chega mais ou menos a essa idade, ela está com o bico voltado muito para dentro o que lhe dificulta comer. Suas garras estão grandes e flexíveis, não seguram mais suas presas com a força que precisa. As penas de suas asas estão grossas e pesadas e dificultam seu voo. Nessa condição, ela tem que fazer uma escolha, viver ou morrer! Normalmente, o instinto da sobrevivência é mais forte e então a águia vai para um penhasco e passa lá em tomo de 150 dias, fazendo um processo dolorido de renovação. Bate com o bico em uma pedra até arrancá-lo, aí deve esperar um novo bico nascer; quando está de bico novo, arranca as unhas velhas, flexíveis e espera que novas nasçam mais resistentes; aí arranca as penas velhas das asas e aguarda que novas surjam. Depois disso, está pronta para viver mais 30-40 anos. Se não fizer esse processo vai morrer antes do tempo.
Como pessoas nós também temos nossos tempos! Em tomo da meia idade, 35-45 anos, já conquistamos uma série de coisas, família, profissão, bens, e na medida em que os dias passam começam a aparecer algumas crises! Perguntas novas surgem a respeito da vida, de seu sentido, de como enfrentar as novas situações que começam a emergir: o peso da idade, as transformações físicas, necessidades novas, etc. É preciso coragem para renovar-se, aprender hábitos novos, novas dietas alimentares, aceitar-se na condição que está, descobrir novos significados. Abrir mão de alguns prazeres nocivos à saúde. Arejar-se mentalmente aceitando novas ideias, acreditar na capacidade e criatividade das novas gerações, adaptar-se às mudanças que o tempo foi operando na vida em sociedade, reaprendendo a relacionar-se, purificando a mente e o coração dos preconceitos e ideias já ultrapassadas, acolher o novo que vai emergindo. Isso tudo é custoso, não é fácil renunciar à ilusão da eterna juventude. Não é fácil admitir que já não se tenha mais a mesma força, agilidade e disposição de quando se tinha 20-30 anos, não é fácil aceitar as perdas de pessoas queridas, as limitações da memória, as frustrações de sonhos não realizados. Nesse tempo de crise temos duas opções: aceitar esses desafios e os enfrentar, ou então, acomodar-se esperando que a morte chegue!
Aprender com a águia é optar pela vida e isto é sabedoria que os anos ensinam. Na meia idade, é tempo de alçar novos voos, descortinar novos horizontes, renovar esperanças acreditando que enquanto estamos no tempo temos chances de fazer novas escolhas. Escolha, pois, a vida! Aprendamos com a águia!
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Padre Deolino Pedro Baldissera
O Mílite (Ed. 217 - dezembro, 2008)